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    Aos gregos, com esmero

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    Moros
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    Data de inscrição : 12/02/2017

    Aos gregos, com esmero

    Mensagem por Moros em Dom Fev 12, 2017 10:16 pm







    Olá, valido ledor e ouvinte, se vides a mim é sinal de que buscar algum conhecimento que não conseguira anteriormente com outras fontes. Eu, a personificação da inevitabilidade seja na sorte ou no destino acompanho o universo desde sua criação. Se não o vi nascer, o criador me mostrou e com a certeza que se tem de que o gelo se tornará água sobre o calor do sol, serei eu a contemplar o último suspiro dessa máquina formidável que se chama criação. Se bem posso lhe ajudar, começaremos como se deve ser... pelo inicio.

    "Antes de tudo só havia o Caos. Nele o tudo e o nada coexistiam sem harmonia equivalente, a água, o ar, o fogo e a terra se chocavam e ao mesmo tempo se evitavam em mesmas proporções e nada, absolutamente nada fazia o menor sentido. Conta-se então que Caos se sentiu sozinho e desse mero momento de pensamento nasceram as forças primordiais: Gaia, Tártaro, Eros, Nix, Érebo, Ponto, Urano.

    Nix e Érebo foram os primeiros a aparecerem junto a Eros que influenciou Caos a se transformar. A massa de terra contida dentro do Caos era mais pesada que o ar e por isso Gaia se formou por baixo e Urano por cima, Ponto habitou sobre a pele de Gaia e assim se formaram os mares e por fim, no limpo da criação se formou Tártaro, tão distante e solitário esse último se afastava dos outros por três camadas de noite e um muro de bronze. Esses Deuses deram inicio a tudo que hoje existe, de Nix eu mesmo fui gerado e vi as maquinações que se iniciaram por todos os cantos que se fosse olhado. Me estenderia por um tempo que você não tem, desvalido mortal, tristemente destinado a encontrar mais do que depressa o seu fim. À vista disso, continuarei pelo caminho mais esclarecido, os filhos de Gaia e Urano.

    Dos abusos constantes a que Urano submetia a desvalida Gaia, que sem chance de se proteger acabava invadida em seu ventre, nasceram os Gigantes, Ciclopes, Hecatônquiros e por fim os Titãs, sendo eles: Oceano, Céos, Crio, Hiperião, Jápeto e o mais novo dos irmãos, Cronos. Já as Titânides eram: Febe, Mnemosine, Reia, Têmis, Tétis e Teia.   Os filhos de Gaia, com sua autêntica impetuosidade devastavam a face da mãe que mesmo ferida não ousava reclamar com suas criações. Urano, por sua vez, irritando-se com a desordem acarretada por seus filhos baniu a todos para o Tártaro, onde ficaram trancafiados por tempo indeterminado.

    Posso lhes dizer que vi a tristeza maior no rosto de Gaia no momento em que seus filhos eram aprisionados pelo pai atroz, que não demonstrava um pouco sequer de arrependimento ou dor em imprimir castigos tão severos as próprias crias, do que pelas fecundações constantes de seu amante celestial. Contrariada pelo ato do companheiro, Gaia incitou seu filho mais novo Cronos a se rebelar contra seu progenitor e esse, já cansado de ver a mãe tão exaurida por parir enormes monstros e mesmo assim ser fecundada novamente, aceitou de pronto a proposta maternal.

    Escondeu-se então, munido de uma foice afiada pela mãe e aguardou o momento exato em que poderia agir. Urano novamente, compelido pelo desejo instintivo que possuía, buscou fecundar Gaia e com a abertura de guarda momentânea seus órgãos genitais foram ceifados pelo filho que ao ter êxito em seu ataque arremessou os mesmos em algum lugar no vasto reino do seu irmão Oceano, titã que a muito destronara Ponto. Posso imaginar com que euforia você esta ouvindo tais palavras, mortal, mas enquanto Urano caía após ser humilhado e ter sua masculinidade arrancada ele amaldiçoou Cronos com um berro que gelou até a minha imortal alma:

    - EU TE AMALDIÇOO E UM FILHO TEU LHE INFLIGIRÁ DORES MAIORES DO QUE AS MINHAS!

    Não houve uma criatura sequer no mundo antigo que não tenha receado a possibilidade de Urano ainda se erguer, mas isso não iria acontecer. Ele estava envergonhado demais para fazer qualquer coisa que não fosse se deixar elevado para formar a vasta abóbada celeste. Começou o reinado de Cronos.

    Ele, tão tirano quanto o pai, novamente lançou ao Tártaro seus irmãos deixando sobre a terra apenas as forças que podiam facilmente serem controladas. Casado com Réia, sua irmã, teve uma geração de filhos que viriam a ser conhecidos como Olimpianos em um futuro próximo, mas ele não podia escapar das palavras de sua mãe que ao ver seus outros filhos novamente enclausurados profetizou em uma confirmação das palavras de seu pai:



    A dor que o filho inflingiu
    Quando pai lhe será inflingida;
    O amargo coração cairá
    Quando a última criança chorar




    Isso o enraiveceu profundamente e a partir dali, todos os filhos que nasceram foram devorados inteiros e passaram a morar no estômago do pai que satisfeito se exibia de forma jubilosa para quem o desafiava. Pobre titã, não imaginava que sua esposa, assim como sua mãe, nutria pelos filhos um amor maior do que pelo consorte e aproveitando que o marido estava cego ela lhe entregou uma pedra no lugar do recém nascido Zeus, que foi engolida de pronto sem notar a diferença de textura entre a pele macia de uma criança e a crosta mineral da rocha.

    Zeus cresceu e ajudado pela sua mãe, tias e tios -cuja libertação ele tratou de conseguir após matar o monstro vigia Campe- e com isso ele conseguiu destronar o pai e após muitos anos a Titanomaquia chegou ao fim com a derrota dos titãs, que foram banidos da terra para o Tártaro, com exceção de Oceano e Tétis que na guerra não tomaram partido e por isso ganharam respeito dos Olimpianos podendo manter o controle sobre o oceano Atlântico enquanto o Mediterrâneo foi dado a Poseidon e Atlas, que como punição por desafiar o novo senhor dos Céus foi obrigado a sustentar o Mundo sobre seus ombros.
    "

    Como vê, imberbe ser, o que vem depois disso todos sabem. Hoje você vive em um mundo que esta a poucos anos das primeiras grandes histórias da Grécia. Talvez, com muito treinamento e empenho você venha a estar presente nos eventos que irão se desenrolar daqui para frente. Eu, como pode imaginar, já sei o seu destino e agora cabe a você -depois de saber de tudo que lhe contei- decidir se esta ou não preparado para percorrê-lo.  







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